Papo Gostoso:Veja entrevista com Giselle Itie

Por cerca de seis meses, Giselle Itié não bateu ponto na manicure e aparou o mínimo possível as sobrancelhas. O descuido com vaidades tão comuns à maioria das mullheres – em especial às atrizes– dá a medida do mergulho feito por ela no universo desglamurizado de Bela, a protagonista desengonçada de “Bela, A Feia”. “Surgiu a oportunidade de fazer a Bela? Vou me doar 100%. Sou muito perfecionista”, admite.

Além de deturpar a própria estética, a atriz também abusou de uma expressão corporal tortuosa, com coluna vergada e pés voltados para dentro. “Fico corcunda 24 horas por dia. Mas é muito bom brincar com a personagem, poder se desvencilhar do que se é e colocar tudo isso no trabalho”, empolga-se ela, que já havia usado o expediente no teatro em 2004, nas apresentações da peça “A Babá”, de Juca de Oliveira.

Mas os dias de Bela com o visual descuidado estão contados. A partir da próxima semana, a mocinha ressurgirá em versão repaginada para se vingar de seus inimigos –mais especificamente, os vilões Verônica, de Simone Spoladore, e Dinho, vivido por Thierry Figueira, que tentarão matá-la.

“Ela sempre sofreu preconceito. Ficou um ano escutando ‘estrupício’, ‘retardada’. Chega uma hora em que ela vira guerreira mesmo”, argumenta, ressaltando o impacto que tiveram os muitos insultos ouvidos pela personagem nos corredores da agência +/Brasil. “Ela amadureceu, viu que a vida não é um conto de fadas.”

Na nova fase, a mocinha reaparece na agência fingindo que é outra pessoa e o figurino, que já vinha sendo levemente “melhorado”, vai mudar completamente –passando a exibir peças bastante modernas. “Não sei até onde posso contar, mas estou muito feliz! Porque a transformação dela vai ser muito bacana”, adianta.

Entre as preocupações de Giselle nessa nova etapa está garantir que Bela seja uma evolução, e não uma nova personagem. Uma das fontes de ajuda para a composição, ela revela, são os conselhos do diretor Edson Spinello.

“Ele é um ótimo diretor, um grande parceiro. Sou muito grata por estar trabalhando com ele novamente. Gosto de trabalhar com harmonia, e isso ele passa para a gente”, diz ela, que também dividiu os estúdios de gravação com ele em “Começar de Novo”.

Escrita por Antônio Calmon e Elizabeth Jhin e exibida pela Globo em 2004, a trama teve sabor agridoce para a atriz: deu à Giselle sua primeira protagonista, Júlia Moreno, mas resultou em uma saraivada de críticas que atribuíam a ela boa dose de culpa pela baixa audiência da trama. Ela conta que, mesmo na época, lidou bem com a situação.

“Sempre vejo a crítica desse jeito: se confio na pessoa que vem falar, eu a compro. Mas se é alguém que não se sabe de onde vem, digo: meu filho, ’so sorry’!”, afirma, bem-humorada.

Mesmo assim, a atriz garante que encarar um novo papel de destaque depois de cinco anos foi responsabilidade direta de uma “pessoa”. “Foi por causa da Bela. Na época que me chamaram, eu estava contratada da Globo, mas pensei o quanto queria fazer essa personagem”, relembra ela, que rescindiu o vínculo com a emissora em termos amigáveis.

Nos próximos meses, Giselle poderá ser vista em um clima bem diferente do colorido e cômico folhetim da Record. Atualmente em pós-produção, o longa “Os Mercenários” –escrito, produzido, dirigido e protagonizado pelo veterano dos filmes de ação Sylvester Stallone– tem estreia prevista para o segundo semestre de 2010.

Sobre a possibilidade de uma carreira internacional, Giselle despista. “Até meu pai fala que, desde pequena, sou sonhadora. Tenho uma imaginação fértil, mas também sou pé no chão. Não estou fazendo força para isso acontecer. Meu foco é na Bela”, garante.

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